terça-feira, 15 de setembro de 2015

ESTOU MESMO CHATA


Hoje estou mesmo chata! Há uns anos atrás uma senhora não dizia chata porque, como é óbvio, referia-se ao género feminino de uma praga que grassava nos lupanares e em quem os frequentava. Hoje, com toda a higiene e insecticidas isso foi-se e, eu posso dizer que sou chata, referindo-me, obviamente, a que incomodo.

O tempo está uma desgraça de temporal e o temporal põe-me capaz de grandes de pensamento. Não há nada como uma tempestade!

Pois vamos ver os mitos urbanos que por aqui andam em campanha.

1º - A esquerda tem de ser subserviente e educadinha. Nada de mostrar a capacidade de indignação, que isso é para a gente da direita, cheia de massa (?), ou pertença massa, que manda, ou quer mandar em tudo e em todos.

4º- Quem é de esquerda não pode, nem que o que tem cubra isso, tem IPhones. Tem que andar descalço.

5º- A esquerda tem de seguir um guião definido pela classe dominante e, tudo o que fizer, tem de ser escrutinado, passível de reprovação.

6º - A classe dominante, que tem na mão o poder, deve ser levada em ombros pelos jornalistas pagos por todos nós.(RTP com os jornalistas malcriados)

7º - A classe jornalística, como 5º poder, acha-se no direito de se marimbar para as leis da República, sem qualquer sanção, confessando-o em público, o que um par de algemas era, em qualquer país democrático, o happy end.

8º - O 4º poder, sem regulação, funciona a esmo, livre como os passarinhos, a debicar no Orçamento do Estado e subserviente aos tabloides e ao governo, com uma auto-regulação interna de corporativismo deixado pelo Salazarismo.

9º - Metade do País pertence a estados estrangeiros e todos nos mantemos numa “rave” de estrangeirismo, com muita coca snifada. ( Só pode ser perante tanta incapacidade de luta).

10º - Os migrantes, no entender dos nossos conterrâneos, não pode ter telemóvel, porque têm de ser desgraçadinhos, quando provêm de nações mais evoluídas, em fuga das guerras feitas pela ganância mundial.

11º - A catequese da parola Universidade de Verão e a mesma parola que se lhe segue do CDS, onde encomendados na primeira e um possível arguido irrevogável na segunda, debitam o ódio catequisado das madraças.

12º - O ódio entre classes, o elitismo bacoco dos profs em todo o lado, como se soubessem administrar o País. Nem as turmas sabem administrar.

Mas há mais mitos urbanos. Não são os de Passos para quem toda a gente que reclama são perigosos esquerdistas infiltrados nas arruadas..Não são o de Passos que acha que as pessoas que não têm emprego não o souberam manter por incompetência. Não são o de Passos que acha que o seu povo ( será seu?) é uma cambada de preguiçosos e gastadores, piegas e incapazes de sair da sua zona de conforto. Ele saiu?

Para ele as pessoas das filas da sopa dos pobres e os sem-abrigo, que ele fez perder as casas e o emprego, são excedentes da guerra, a percentagem de baixas.

Mas são pessoas Sr Primeiro Ministro! O seu povo!

 

Helena Guimarães

sexta-feira, 11 de setembro de 2015


Ontem fiz um blogue com o nome “ A lagartixa”. Podia ser uma coisa espúria mas não é.

 Eu conheci uma lagartixa que ficou nas minhas memórias.

Tinha para ali, em outros tempos, uma casa para os lados de Felgueiras, de onde provenho em família, que era uma construção em pedra, soalhos de pinho de riga, uma vivência aburguesada de tempos com história. Que eu, nascida com espírito de aventura, mais ou menos, quis erradicar do conservadorismo dos limiares do século e defrontar o novo século com o peito aberto e inteligência capaz de não ser uma mulher de dar filhos ao mundo  com alguma dependência do pároco da aldeia, que vinha do cimo do Marão, do Presidente da Junta, que andava nas minhas terras a roçar o mato para o burro com que distribuía o azeite, nem sempre azeite.

Mas, para que conste da minha mocidade de camélias e jardins de jasmim e rosa chá a enfeitiçar-me as tardes, havia uma lagartixa.

Uma lagartixa, livre e sapiente, que largava a cauda que lhe cresceria depois, cada vez que era incomodada.

Uma lagartixa livre, sempre com a sua cabeça levantada, que vinha comer na sala de jantar, ao sol, sem medos, sem território, numa aventura diária.

Abria-se a varanda e lá estava ela a percorrer a sala de jantar, onde almoçávamos, que o jantar era na sala mais recatada com lareira.

 Não tinha medo nenhum. Sabia que era nossa e não a chateávamos com coisas espúrias. Passeava a sala de jantar ao sol a colher o que lhe interessava, numa interligação ecológica com a sua realidade. Nunca perdeu a cauda. Adorava a lagartixa e a sua liberdade. Porque eu exigia, nunca lhe foi coarctado a acesso á sala de jantar.

Memórias de uma vida simples, ecológica. Por isso o nome do meu blogue.

 

Helena Guimarães
A LAGARTIXA

Ontem fiz um blogue com o nome “ A lagartixa”. Podia ser uma coisa espúria mas não é.

 Eu conheci uma lagartixa que ficou nas minhas memórias.

Tinha para ali, em outros tempos, uma casa para os lados de Felgueiras, de onde provenho em família, que era uma construção em pedra, soalhos de pinho de riga, uma vivência aburguesada de tempos com história. Que eu, nascida com espírito de aventura, mais ou menos, quis erradicar do conservadorismo dos limiares do século e defrontar o novo século com o peito aberto e inteligência capaz de não ser uma mulher de dar filhos ao mundo  com alguma dependência do pároco da aldeia, que vinha do cimo do Marão, do Presidente da Junta, que andava nas minhas terras a roçar o mato para o burro com que distribuía o azeite, nem sempre azeite.

Mas, para que conste da minha mocidade de camélias e jardins de jasmim e rosa chá a enfeitiçar-me as tardes, havia uma lagartixa.

Uma lagartixa, livre e sapiente, que largava a cauda que lhe cresceria depois, cada vez que era incomodada.

Uma lagartixa livre, sempre com a sua cabeça levantada, que vinha comer na sala de jantar, ao sol, sem medos, sem território, numa aventura diária.

Abria-se a varanda e lá estava ela a percorrer a sala de jantar, onde almoçávamos, que o jantar era na sala mais recatada com lareira.

 Não tinha medo nenhum. Sabia que era nossa e não a chateávamos com coisas espúrias. Passeava a sala de jantar ao sol a colher o que lhe interessava, numa interligação ecológica com a sua realidade. Nunca perdeu a cauda. Adorava a lagartixa e a sua liberdade. Porque eu exigia, nunca lhe foi coarctado a acesso á sala de jantar.

Memórias de uma vida simples, ecológica. Por isso o nome do meu blogue.

 

Helena Guimarães

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A COLIGAÇÂO FOI AO TAPETE


Antes de mais esclareço que vou utilizar comparações e metáforas para tornar mais pequeno o texto, uma vez que o debate de ontem trouxe tanta informação, e foi preparado com tamanha estratégia que eu levava dias a deslindar. Como um novelo. Vou utilizar as touradas, da luta das quais me tenho afastado porque cheguei à conclusão que as pessoas que defendem os animais, com toda a convicção, atacam o auxílio aos refugiados/ migrantes com a mesma convicção. Porque a luta a favor dos animais é mais segura. Tudo é uma luta, usando cada um a nobreza da sua constituição como ser. O Homem e o animal. E em todas as lutas há cadáveres e ontem houve vários.

Mas vamos ao que interessa. O debate.

Os masculinos vêm os pormenores, as mulheres vêm, como a águia, de cima.

A PAF está a lamber as feridas algures. Feridas fundas do PP levado ao tapete por Catarina Martins e por Passos coberto de bandarilhas, depois de passar de toureiro a touro num debate preparado. Que foi preparado. Assim vejamos.

1º - Dias antes do debate “ o gajo de Gaia” ( leia-se Marco António) vem dizer, publicamente, que vai ser utilizado Sócrates, não como pessoa, mas como político.

2º - Dias antes Sócrates sai da prisão e vai para casa, para reavivar Sócrates na campanha.

3º - Na véspera do debate sai uma sondagem da AXIMAGE que dá três pontos percentuais à PAF em relação ao PS.

4º - São escolhidos os jornalistas para o debate.

5º - Os avençados caem em bando nas redes sociais. ( já os conhecemos)

6º - Os críticos políticos consideram Passos como o mais preparado, como se debater na Assembleia, com o Governo atrás, contra um líder do maior partido da Oposição fraco, fosse a mesma coisa que estar sozinho perante o opositor nas mesmas circunstâncias.

7º - Miguel Macedo é questionado e constituído arguido, e o interrogatório suspenso sine die ( Irra! Esta gente é antropófaga. Seguir a ver onde ele vai parar).

E lá fomos ao debate, que mostrou várias coisas importantes.

1ª – Depois de os dois antagonistas se reconhecerem em “terrenos de dentro”, Costa passa ao ataque e Passos refugia-se nas “tábuas”.

2º - É visível quem toureia. Costa. Passos passa a touro em defesa. Não era previsível pelos jornalistas.

2ª – Em algumas arremetidas atira com os sounbites de Sócrates. Leva uma bandarilha e recua.

3º - Vem com o pedido de resgate e Costa mostra-lhe os gráficos e os documentos. Embaralham-se na lide.

4º - Sempre agarrado ás tábuas Passos, já a sofrer, mostra o seu caracter em dois erros enormes : considera o adversário inferior e atira-lhe com um “ deixe-se de brincadeiras”, mostrando que as suas boas maneiras são um flop, e depois um “ não é muito diferente”, entre dentes, referindo-se a Sócrates.

5º - Numa atitude já de “ que se lixe” , refere que com AJS o debate seria diferente. Uma tentativa de chamar a si o líder da Oposição que tinha sido o seu apoiante no início da legislatura. O primeiro cadáver na sala. AJS que sempre estendeu uma passadeira vermelha a Passos. Uma catanada com uma adaga do ISIS.

6º - Sem qualquer capacidade de resposta, preso nos soudbites ensinados, a regressar ao passado, porque não tem programa a não ser o que já fez, ficou por ali a ser bandarilhado.

7º - Costa bandarilha-o com o programa VEM. E manda-o visitar Sócrates porque ele, Passos, tem saudades. Duas bandarilhas.

8º - Os jornalistas, seus bandarilheiros preparados, mostraram-se fracos. Refugiam-se em tábuas. Se estes são a “creme de la creme” mostraram que os médias estão espartilhados. As perguntas do jornalista da RTP até dava para uma rábula. As duas damas são flores de cheiro. Uma vergonha para os jornalistas nacionais. Não perguntaram nada sobre a educação, sobre a emigração dos quadros que nos custaram tanto, sobre a Europa, sobre Portugal. Interessavam-lhes números de emprego no assento etéreo, se Costa ia responder a Sócrates por o apoiar e idiotices congéneres. A babugem. Não estiveram á altura de um debate da Nação, com um candidato com um programa e outro sem coisa nenhuma. Mais uns cadáveres.

9º - Sócrates foi retirado da mesa ( podem soltar o homem que a estratégia faliu) e o Syrisa esteve escondido nas tábuas de protecção. Cadáver da estratégia .

10º - Vimos um PM sem coisa nenhuma, que ainda por cima acha que a desvalorização cambial, que é uma ferramenta económica, é “ um truque”. Junte-se ao ISIS nas suas ideologias.

 Já bandarilhado e a escorrer sangue ainda, cá fora, tenta inverter o debate, mantendo as mesmas mentiras de sempre. Ele não sabe o que se passa.Vive no mundo que lhe mostram as estatísticas e os assessores.

 Acha que o Sistema Nacional de Saúde está melhor.  Imaginem. Nem se falou na Educação!!

Dos comentadores o Marcelo assumiu a derrota, já com um olho nas Presidenciais de “gajo equidistante”. Quem quiser que o compre.” Um olho no burro e outro no cigano”.

Resultados? A PAF a ter de fazer um trabalho exaustivo, a campanha relançada, dois líderes da PAF no chão a lamber as feridas.

 Que AC regresse à campanha assim a bandarilhar, ou, noutra metáfora, a abocanhar a perna do ladrão que anda a roubar o território.

 

Helena Guimarães